quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

De uma descoberta, anunciada em sonho



Foi mesmo de uma explosão que tudo começou. As coisas se moveram rápidas. Tudo foi acontecendo de acordo como planejado, para que a escolha feita em algum outro estado de consciência se materializasse. Já havia percebido que algo dentro de mim tentava ir contra a fluência, e que a ansiedade existia em toda parte. Um lugar onde as palavras não existiam, e se existissem estariam presas na conexão de um lugar distante. O que acordavam não eram borboletas, mas sim dragões, que vinham e se escondiam na sombra. O tempo não facilitava. Coisas tão óbvias e tão escondidas dentro de si. Procurava atingir um sentimento que se encontrava em algum lugar por volta, que era imenso, onde já havia experienciado todas aquelas coisas, positivas e negativas, enquanto identificava ou recusava. Aquilo que sentimos é o que queremos sentir, mesmo quando sentimos sem querer.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Eu Lhe Disse



Seria o amor ainda possível? Mesmo depois de tê-lo matado de todas as formas que tinha sido pré-concebido, e abrir mão de certos luxos que poderia ter só para me satisfazer por alguns instantes? Estar-se conectado a todos, sem saber como fazia para perceber a parte minha que se sentia só? Revirava-me em idiomas, escrevendo no meu próprio. Imaginando se a profecia do fim após um poema também poderia ser quebrada. Quase reunidos em matrimônio, dei um jeito de arranjar uma casa distante, dentre as árvores, onde pudéssemos ir para se esconder; como uma pílula que te fazia sentir melhor, você me tomava todos os dias antes de ir dormir, se encaminhando para o seu mundo paralelo, onde o tempo passava diferente, e em contato com os seres, pedias amparo a mim.

O autoconhecimento foi usado contra mim. Não existia a compaixão, nem o ser, até me permitir reconhecer e entrar em contato com estes. Porém, a espera e a ansiedade, baseadas na fantasia da minha realidade, estavam presentes como espectadores que faziam questão de opinar na representação da ilusão das personagens, que se misturavam e se confundiam; todas queriam ser protagonistas. Decoravam suas falas, que lhe serviriam de argumento para provar sua importância, e seguiam falando, mesmo quando caladas. Nunca, tantos atores apareceram para fazer parte, mesmo que de figurantes, nessa peça. Eles insistiam em aparecer mesmo depois de terem recusado o papel, se tornando esquecido, mas ainda ligado com a história. Afinal, todos podiam ler o roteiro, e mesmo que quisesse que não fosse, aquela como tantas outras, era uma história previsível, podendo haver intervenções do diretor, que era conhecido como arquiteto do destino que lia as estrelas, fazendo assim com que o inesperado acontecesse. Vivia conscientemente aquilo que poderia ser uma mentira ou uma história mal contada, retorcida. Mesmo com tantas outras preocupações, e o nervosismo de esquecer o texto, seguíamos caminhando, entre desencontros pela fronteira. Qual seria o significado do silêncio entre os intervalos de um diálogo e outro? E o que se passava no pensamento, ou nas emoções e sentimentos, poderia interferir nas palavras do que viria a ser resposta?

Se esperávamos o melhor, deveríamos fazer o melhor, e não queria criar expectativa caso perguntassem por onde eu tinha estado. A memória não tinha imagens, e eu ficava revivendo o pouco que me lembrava da tua figura; quase que me apoiando a isso quando não emitíamos ondas de notícias. Querendo e permitindo diversos olhares, e dessas maneiras de olhar, a construção da realidade, que nos intervalos era preciso usar da mentira a si mesmo para contar verdades já sabidas. Íamos formando constelações, com células de infinitos, individuais que se tornavam coletivas. Já havia dito que no meio disso tudo, não tinha dúvida e nem medo do que sentia quando me conectava com alguém, podendo-se dizer ser a única coisa que não temia.

Não coloque o sofrimento como uma consequência, nem receie por mim. Para ser marcante é preciso mais do que uma frase de efeito. Por isso entro com a minha pura energia. Assim não são rótulos que vão me definir ou limitar. Apenas um envoltório carnal. Todos têm essa vontade de ser perfeito. Não era isso o que nos ligava. A beleza nunca me foi simpática, sendo sempre invisível na cadeia alimentar, sem conseguir ser, nem que quisesse, preferi não tentar nada para me proteger da decepção. Com a arte da luta aprendi a defender meu coração, abafando minha intuição, e com o desejo de vida e de morte, promovi minha própria aniquilação em estágios homeopáticos. Não concordo com o proclamar de problemas, contudo, quando perguntam de ti, não sei o que responder, então acabo vomitando blasfêmias, se é o que querem ouvir, qualquer coisa, simplesmente digo.

Deveria eu acreditar nas suas atitudes ou nas suas palavras? No que se mostra ou na minha intuição? Nas previsões de um espelho quebrado ou no amor diluído com o tempo, ou na distância de uma ligação para alegrar os meus dias ou noites? Continuar agindo sem ser natural para forçar uma aptidão que talvez me tenha sido concedida, ou acordar acreditando que não viverei sem meus medicamentos? A loucura vai tocando aos poucos com o seu acorde visceral, enquanto conhece todos os meus segredos revelados, minhas palavras passando pela minha mente sem ela se dar conta que podem não fazer sentido algum se colocadas em gavetas. Talvez mais questionamentos do que respostas. Do jeito que eu gostava que fosse. Negando desejos de sexo e de como faço com que as relações deixem de ser mentira, para me tornar o culpado enquanto os amantes resolvem se manter unidos, e deixar com que esse lapso de lembrança seja apenas passado.

Se eu fosse contar as vezes que penso em você e me perco cercado por seu amor poderia soar que eu sou um tolo, mas eu prefiro ser um a tentar controlá-lo, perdendo-me na minha mente misteriosa, onde tudo é tão óbvio e preconcebido em fracassos e decepções. Eu prefiro ser e acredito no amor. Você é de verdade ou estou dormindo? Eu não lhe pediria nada parecido com a fidelidade. Você poderia tocar meu corpo até que soassem notas e eu fosse a melodia. Não me atreveria a perguntar se estávamos sonhando, porque era lá onde fazíamos amor. Eu não podia parar de pensar sobre o seu corpo e seus braços ao meu redor. Nós não somos apenas humanos e podemos dançar mesmo sem asas. A única coisa que eu posso ser é um trovão permanente em seu céu, causando uma nova canção. Fico imaginando que tudo isso está tão longe do espaço que seria permitido para a nossa matéria transcender os limites de ambos. Eu não ousaria, a este ponto, esperar por algo menos do que isso ou até mesmo expressar com palavras limitadas o quão imenso sinto a cada momento que percebo como as perguntas são dissolvidas e me torno o que eu posso ser e compartilhar. Apenas a razão simplesmente poderia querer colocar regras para o que pensam ou sentem e levar-nos a acreditar que algo é classificável. Somos eternos e isto é o suficiente.

Existem coisas que a gente ganha com a maturidade consciente. Algumas visíveis, outras ocultas. Todas as experiências são únicas e de tudo pode se aprender, deve haver um motivo. Quando se chega a um patamar tão alto, sem expectativas ou cobranças, não podemos oferecer menos do que isso para nós mesmos. Aprendemos com os erros, que se fazem necessários para termos compaixão, principalmente com nós mesmos. Em um momento foi possível sentir o que nem as palavras poderiam dizer. Querendo viver aquilo, sem saber se seria com técnica ou não. A minha verdade foi entregue a nós mesmos, e a quem quisesse. A arte se imortalizou no momento de um tempo, pois alcançou algo superior do que já havíamos sentido. Os sonhos são apenas espaço, o tempo passa sem perceber. Até mesmo as horas diminuíam a distância entre elas para que no mistério do silêncio e da solidão exterior reconhecêssemos o que se passava por dentro. De um caminho vazio, onde o corpo reclama o amanhã. Eu viveria tudo isso e mais ao seu lado, como o tenho feito. Sua presença me ilumina e me faz querer viver e acreditar em todas essas explosões que acontecem de todas as partes do meu ser. Pode ser uma imagem que criei, ou uma indagação se é mesmo recíproco. A única coisa que podemos apreciar com a amplidão do despertar é a individualidade. Isso ao mesmo tempo em que nos acrescenta nos engrandece. Agradeço aos que iluminam meu caminho para que eu possa enxergar agora. Porque é normal ficarmos cegos a maior parte do tempo, isso faz parte do ser humano. Mas nada pode ser confirmado uma vez que já é.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Futuro

Sempre busquei viver da verdade, de verdade. Minha personalidade foi sendo criada pelos meus corpos físico, mental e emocional. Vivíamos numa realidade dual. Criei fantasias e acabei vivendo delas. O ego era apenas a manifestação da personalidade e da reação frente a tal dualidade. O que me impedia de ver a beleza que cercava. Mesmo quando a realidade me mostrava, eu era incapaz de enxergar. Perdido em mim mesmo, queria apenas receber ao invés de dar, retribuir. Tudo ia se realizando. Não uma segurança, mas um conforto. A vida continuava se transformando, e eu era adaptável. Só alcançaria a iluminação quando conseguisse me desidentificar destes corpos e ser grato pelo que já tinha. Era exatamente isso que eu temia. Ter que ficar numa busca infindável de alguém que pudesse compartilhar o que eu sentia. Espalhando minha energia conforme me conectava com o outro, ansiando por algo que estaria por vir, futuro. E por mais que eu dissesse, as palavras não expressavam, e eu continuava dizendo. Provavelmente o ego continuaria reagindo ou dizendo coisas, mas quando identificava que não era minha essência, me colocava como telespectador e observava sem reagir. Agindo conscientemente.  Não era além, no que estaria por vir, futuro,  que eu encontraria a minha própria mestria, minha reforma interior. Ela já estava acontecendo. Tratando e dando daquilo que fazia comigo. Cada um poderia encontrar a sua verdade. E eu tentava irradiar pelo meu plexo para que ela fosse transmutada. Era do previsível que eu esperava. Se colocava meu pensamento em algo, minha energia como um tubo se conectava ao algo e eu perdia a plenitude. Cabia a nós sermos a mudança. Qualquer sinal que saísse do contexto esperado, se tornava uma ameaça. Se tudo acontecia com o tempo, de qual estaríamos falando? Mesmo com as diferenças, existia uma dimensão de consciência em que estávamos todos conectados. Se o passado tornava a voltar, ou o futuro insistia em aparecer, não havia nada mais que o presente. Quanto mais vou esperar para que haja uma resposta? A intenção focada podia criar e mover energia. O pensamento tinha poder. Para algo agir era preciso sabedoria interior. E qual seria? A distância ganharia um novo significado a cada novo passo. Éramos Luz primordial, uma centelha divina que chispava dentro dos nossos corações. Para onde levariam as pegadas? Quem e quando ensinaram que qualquer sinal de afeto poderia durar para sempre ou ser algo para se apegar de tal forma que quando não tivesse estaria tudo destruído? O Amor era o caminho, a verdade e o incalculável vazio preenchido de infinito. Teria que ser o amor? A opressão continuava na consciência, inconsciente. Eu me encontrava sentado. Sem vontade de revidar ou questionar o que parecia estar errado. Aguardando o instante para dar o primeiro julgamento. Por onde olhasse, para onde eu fosse. Eram militantes revoltados com a sua própria falta de competência. Só porque você tinha deixado de fazer algo isso se tornaria errado para o outro? Sem deixar que nada fluísse ou passasse entre os dedos. Tapando o sol com a mão fechada. Ao mesmo tempo em que tapavam, tentavam espiar pelas bordas. Só se fosse para si mesmo. Onde e do que andavas vivendo para deixar que as letras escapassem e as palavras tomassem outro sentido? Éramos tão incapazes que não conseguíamos enxergar que nossas formas de lutar, reprimiam qualquer chance de dar certo. Talvez até tivesse te visto na mesma estrada que eu. Profissionais insatisfeitos, com suas caras fechadas para mostrar que entendiam de alguma coisa, empurrando o balcão com as barrigas. Não existia pecado em dizer eu não sei. Mas não íamos para o mesmo lugar.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Now


Suddenly you get completely disconnected from people. Felling you don't belong to the place. Everyone is acting, pretending to be someone they don't even know it's not true. Don't like the changes. Anger. Knowing exactly how they act. Not able to be quiet or talk. Discernment, insight, judgment. Comes back a fear, as something from past would return and make you crow again. You only have the present. Could we live without any memory or gain we experienced? Didn't mean to possess anything, but when you treat it so right and the source starts to be enjoyed, taken from you, becomes hard to share, although it was in your discourse. The words without passing throughout the intellect. Body talks. Banal things to do not allowing hearing your self-screaming. Somewhere I can run to ride. Where I can transcend the matter, turning emotions and thoughts, mental body into light. Can be big and small. With no gravity. Full of emptiness. My ambition is to become fearless.