domingo, 10 de maio de 2020

Som alto
Palavras ditas que chegaram
onde tinham que chegar
Não disseram nada que fizesse sentido
Mas que foi sentido
Daí, coloca no modo automático
E segue adiante
Os sentimentos te confundem
Tesão com emoção
Ao mesmo tempo que o sim
É o tempo do não
Para construir muralhas
Pode ser divertido
Mas toma energia
Ter que estar disponível
E daí uma hora que aquilo era sua qualidade, vira seu defeito
E o que era engraçado
vira motivo de sentir ranço

Se eu pudesse ter
só um pensamento puro

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Estupro



Somos agredidos desde a infância. Por diferenças de gêneros, provavelmente. Passamos por um crime de subjugação onde o poder e a opressão é mostrar quem está no poder. A formação da nossa identidade se faz desde que nascemos. Um preceito social onde a morte do prazer causa dor e trauma. Abafamos a violência.

Quanto mais você se toma consciência do que é abuso, mais as pessoas começam a se mobilizar. É importante que tenhamos espaços para nos sentir à vontade para falar desse problema. A percepção de que isso é um crime é tão vaga, que o limite fica um pouco cinza. Como uma ressaca moral, a lógica inverte a situação.

Um tipo de agressão que geralmente envolve relação sexual ou outras formas de atos libidinosos realizado contra uma pessoa sem o seu consentimento. Sendo realizado por força física, coerção, abuso de autoridade ou contra uma pessoa incapaz de oferecer um consentimento válido.

É muito difícil que a vítima perceba que algo aconteceu. Assim como o agressor não percebe que aquilo foi agressão. Os agressores são pessoas próximas do convívio. A psicopatia não explica a prevalência do estupro na sociedade.

Dominação do corpo.
Sentimento de impunidade. Perpetuação do domínio.

Ser homem é romper com esse ciclo, para que próxima geração não sofra isso.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

IGnORância


Eu não preciso explicar minhas atitudes, e mesmo que quisesse eu não conseguiria. Por mais que se compreenda as coisas, elas geralmente não estão sob nosso controle.

Eu sou ansioso e potencialmente carente. Tiro conclusões precipitadas. Preciso ser aceito pelos outros. Arranjo mais compromissos que posso e me cobro se não consigo cumprir. 

Crio formas para me sentir seguro. E ao mesmo tempo que gosto de arriscar, tento ficar sempre confortável.

Procuro não me envolver em relacionamentos porque uma parte negativa de mim diz que pode não dar certo. E nem preciso falar da expectativa que se cria e que espera-se que o outro supra, sem o outro nem saber que está envolvido nessa artimanha da mente. Buscar escapes geralmente funciona. Mas o coração balanceia quando recebo ou não uma esperada notícia. Às vezes parece que me coloquei nessa roda de punição para que tudo parecesse mais difícil do que simplesmente deixar ser. Ou extrapola de vez, de repente, para ver se deixa de sentir. Ou se pega sofrendo por algo que nem é real.

Em que ponto foi que isso tudo passou a ser assim? E será que vai embora ou a proximidade com todos esses sentimentos e sensações vai durar para sempre?

Vivenciar todas as experiências sendo nós mesmos, e cada um vivenciando a sua da sua maneira. Essa é a dádiva de sermos indivíduos ligados à mesma Fonte? Ou essa identificação é o que nos impede de ver as coisas como elas realmente são?

sábado, 5 de agosto de 2017

Histórias



Dentro de tantas histórias. Por essa longa estrada. Que começaram e perderam o encanto quando terminaram. A minha única esperança era deixar que isso passasse. Me escondendo para não manter as promessas que eu fiz. Das decisões que pareciam aleatórias.

Agora eu posso ver a grande perspectiva. De uma linha do tempo que se passou linear. Que pareceram não ter sentido algum, motivo algum. Só eu podia me machucar. Possibilitou pequenas mortes e grandes recuperações. Eu podia ser cego. E talvez fui. Só porque tenho medo da solidão.

Palavras. Ter o dom de coloca-las em ordem para que elas não façam sentido algum.  Nos esquecemos delas. A diferença entre erros e o que fizeram comigo. Onde essas realidades nos levaram e o que fizeram?

Agora temos mais armas. Amor. Eu hesito, mas podemos chegar perto. Você realmente acredita que não sei do que você é feito? Eu só queria me apaixonar.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

RAncor NUnca BIca Ovo


Primeiro não queria partir. Pegar um trem desconhecido para lugar nenhum. Tudo o que é novo desespera. Onde quem lhe espera não é familiar. E das dúvidas da sua capacidade de compartilhar, o que por vezes nem mesmo lembra acreditar. Quando as dúvidas surgem e o que lhe resta é continuar. Das certezas de que não deves envolver terceiros nos assuntos que só condizem a ti. Eventos diversos que te fazem questionar se realmente estás seguindo pelo caminho correto. Dos pesadelos que te deixam acordados mesmo quando chegas a exaustão. Dentre dias ou outros, onde senhoras aventureiras acompanham a jornada de forma descontraída. Descobrir em qual momento se encontra. Se suas ações condizem com o que realmente deseja. Onde o acumulo de informações são apenas recordações do que um dia foi estar junto de ti. Que para descobrir tive que passar por outras experiências cheias de intensidade e finais. Onde cada vez meu coração se despedia, partindo em pedaços, para se juntar de novo e formar o que sou hoje. Quantas vezes o coração pode se reconstruir? Entrelaçando os braços e sendo grato. Porque música foi o que ouvistes enquanto eu falava. Uma voz do desejo de reviver os amigos que fiz, que gostam de mim, apesar de quem sou. Agradecendo aos que já foram e me ensinaram. Que levam a outros mares. Que tomaram outros rumos. Que partem as pedras. Encurtam o caminho. É a mim quem tu libertas. A fragilidade da rocha. Da imensidão. Na tua presença. Momentos de nós. Da música que faz meus momentos, e juntamente com a chuva, contemplo as noites. Nos braços da paz. Que enche os mares e raia o novo dia. Recomeçar.

Compartilhar do ser que és, despertando e me permitindo meu melhor, sendo um. É lindo e puro. Cada um fazendo parte disso, porque estamos todos ligados. Colocar a cabeça no travesseiro e ser transportado para o carinho do toque, para a sutileza do olhar, para a suavidade do beijo. Dentre tantas pessoas que passaram, que admiraram, e o mais bonito além de ser, reconheceram. O mais importante é que fomos atraídos pelo bem um do outro. Somos amor, além dos traumas, limitações e preconceitos. Para além do corpo, e onde o tempo não existe, clamando para ser lembrado. Tudo vale a pena em pequenos instantes que se eternizam no sentir de curtos segundos. Partindo de coração ardente em lágrimas de felicidade de amor, com a certeza da missão cumprida através da arte. Nada acontece por acaso e tudo o que passamos é preciso apenas para provar que o que importa é fazer o bem. Não temos como prever, e a gentileza é uma benção. A turbulência de passar de uma corrente de ar para outra. Por fim não queria voltar.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Conversa com Bruno

-Não sei qual magia branca você fez, mas já pode desfazer. Vira e mexe você está em meus pensamentos. Tenho pensado com carinho. Na verdade dobrei minha medicação. E existem uns métodos alternativos que envolvem choques e lobotomia. A planta nasceu, mesmo com tanta energia negra em torno dela, guerreira como o pai, carrega isso porque possui a esperança na semente. Foi uma das poucas coisas que plantei e brotou. A Luz no meio das trevas. Não sei como seria sem ter. Conviver com leões é tenso e perigoso, você acaba sendo vítima da natureza hostil deles. Nem tudo são trevas. Existe sempre uma chama que agoniza no pior dos corações.

-Prometo marcar um café para você parar de pensar em mim. Pode ser algo entalado que queira me dizer ou dar na minha cara. Mas vou marcar para ajudar você nesse sentido. Só não bate muito forte. Minha bondade é muito grande. Às vezes caminhos se cruzam. Outras seguem juntos. Outras nunca se cruzam. Mas deixam de cruzar em algum momento. Tudo é um caminho sem fim. Conclusão remete a um destino que não existe nesse caminho. Sem rumo ou conclusão definida. Aceitar sem angústias, daí da humanidade em tentar entender o sentido da vida. Não é jogo de azar. Chance é só uma forma covarde de enxergar opções. Existe uma infinidade de opções. São escolhas. Milhões de coisas para viver. Chance remete a certos e errados onde eles não existem. São apenas caminhos diferentes. Não existe caminho errado. Existe o seu caminho.

-Tirando a mudança que já é grande coisa, tudo na mesma desordem de sempre. Otimismo não é bem meu forte. Mais para realista. Não deixo de enxergar a realidade amarga das coisas, o caminho vai fazendo tudo ficar exposto, até o que adoraria não ver. Ignorância e cegueira são dádivas que não possuo. Nascemos ingênuos, algo puro e belo, mas não sonsos. Ninguém nasce sonso, a desnaturação da ingenuidade, corrompida pela esperteza. Algo triste de ver, amargo de provar. Uma realidade nada agradável do mundo moderno; é cafona ser ingênuo e mandatório ser esperto. O ser humano sendo vítima da própria sonsice.

-Não sou ingrato de abandonar quem me ama. Até porque o amor tende a unir caminhos. Então entra a aceitação do outro, pois cada um segue o caminho que escolhe ou que deve seguir. Maturidade me arrebenta como uma obrigação. Tudo me leva a reflexão. É só o que tenho a fazer. Observar. Mas cuidado com o que vê, por vezes machuca. Crescimento é um clichê para alimentar suas frustrações. Apenas viva e tome suas próprias decisões. Livre.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Proximidade

Eu me sinto só. Um vazio enorme. Isso foi o que a proximidade fez. Me sentir pertencido na casca que se formou impedindo de externar sentimentos. Cada vez o contato com o outro é mais longe. Sinto que não tenho forças para abraçar, já que meus ombros não sustentam bem os meus braços. A flexibilidade se foi, dando espaço para rigidez dos músculos. Onde foi parar o meu ser? A rejeição que existe arraigada ao meu ego não permite enxergar nada além. Não deve ser fácil viver na pele do outro, mas já não suporto ser tudo sobre mim. Eu não tenho culpa. Sou sempre a vítima. Me deparo cada vez mais com a realidade. Ser frio e ter uma sinceridade ácida parece ser mais atraente nesses dias em que o frio toma conta não só da natureza, mas também do coração. Basta a aceitação para que tudo seja liberto?

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Escrever

Eu sei de onde vem essa vontade de escrever. Do que surge de dentro do meu ser quando estou em silêncio. Dessa voz que quero apagar. Do apertar em meu coração do que deseja desabrochar. De tantas palavras que insistem em não serem ditas. Ninguém consegue viver no vazio do silêncio sem ao menos escutar o que existe lá. Foram influências gigantescas de artistas que não souberam lidar de outra forma, com o que chamamos de solidão. Milhares de vidas inspiradas, que inspiram, para que cheguemos aonde estamos. A intuição continua acesa, mesmo quando não somos capazes de sentir. A vida nunca morre para quem consigo carrega o amor.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Conversa de Plantas


As mensagens que você enviar para esta conversa e chamadas agora são protegidas com criptografia de ponta-a-ponta. E você tem que prometer cuidar da semente que te dei. Quero ela feliz. Diz no pacotinho que demora vinte dias para sair o broto. Mas você tem que dar água e carinho sempre. Todas as outras plantas vão ter ciúmes por ela ser a única que tem nome. Ops, emoticon errado. Você vai gostar de mim se me transformar? As pessoas têm que ser quem elas são, esse é o segredo para o outro gostar de você, eu acho. Quero ser, preciso viver como lembrança. Mas se precisássemos viver só por dentro não estaríamos aqui. Nada te excluí de fazer parte e ser a manifestação divina na Terra. Quem pode responder é você mesmo. Alguns enxergam e outros não, e enxergar é ótimo. Talvez não seja o caminho mais fácil, e isso é uma questão de perspectiva, mas te tira da inércia. Não sou eu, é você. Você só pode enxergar aquilo que possui. Foi um esbarrão, mas nada acontece por acaso. E eu me perguntava do porquê deste acaso, mas as coisas se desenrolam sem questões. Leve o tempo que precisar. Aqui não estamos imunes ao tempo. Não existe só uma energia em ti. Quantas vezes você me conheceu?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Miguel


Eu vou mentir se não disser que eu pensei em você praticamente todos os minutos das últimas vinte quatro horas. Que as últimas semanas separaram o que eu fui do que eu sou. De lições práticas de como eu posso ser melhor sendo eu mesmo. De coisas que eu poderia ter feito diferente para que nada interferisse no que acontece no presente. Das palavras que acreditei serem lançadas sem intenção, mas que criaram monstros que me sufoquei. Da expectativa que crio a cada segundo. Das frases que não queria colocar juntas para que um poema não fosse o ponto final. Para que durasse para sempre.
Eu vou mentir se não disser que comentários foram tecidos em relação ao valor que esse amor custaria. Que fui encarado como imprudente, pelo pouco tempo e pela distância. Como se pudesse comprar algo que apenas o coração pode sentir.
Eu vou mentir se não disser achar ser natural tantos conflitos quando encontramos alguém que veio não apenas para te mostrar o que é romance. Que te coloca de frente com tudo o que precisa ser lidado. Que eu chorei. Porque a saudade pareceu ser maior do que meu coração poderia aguentar. Que sonhei com uma mensagem sua. E me surpreendi quando recebi tua ligação.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Carne


Somos um amontoado de carne. A carne do prazer. São milhares de prazeres para se fugir da realidade. Nada disso se satisfaz. O desejo continua crescendo e se tornando maior. Até que te toma. Te seduz e te leva para um lugar onde apenas os solitários vão. Onde ninguém pode te odiar mais que você mesmo. É esse lugar onde me encontro. Sem ambição. Com mil desejos para serem saciados e que nunca serão. O presente não existe e só se pode dar atenção ao que não está ao alcance.  Tudo o que se tem a dizer é adeus. A música soa boa. E até o delírio parece ser real. O passado continua presente, te perturbando. Nos sonhos. A carne não se aguenta dentro de si, ela quer reproduzir. Esse é o meu tormento. Não estar apto a esperar pela carne certa que virá. É uma celebração à morte. Que nunca acaba. Esse não é o pecado. O pecado é perder-se em si mesmo. Um ser de letras que erra por um acento. E que ouve os outros sem se colocar no seu lugar. Dando conselhos inteligentes para tolos. Afinal, quem não poderia enxergar esse casamento que está próximo a se acabar? Era para ser uma família. Que dorme no chão do corredor. Desde que partiu. Onde um maço não é suficiente para saciar sua vontade de fumaça e cinzas. E acredita que tomar um copo de água vai poupar seu fígado contra a bebida.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Ame, mas não dê o seu coração a qualquer um

Seus olhos baixos enquanto um sorriso meu se manifestava estampado por segurar sua mão. Seu sorriso acanhado quando encontrava meus olhos. Eu escalei um muro que desabou quando eu poderia ter caminhado para dar a volta e ver o que se encontrava do outro lado, seguindo a rota. Um encontro de almas que desperta questões que não se sabia estarem escondidas. Do quão sozinho se sente por ter se perdido em si. De desconcentrar do seu dever. De afinidades que se encontram em momentos não esperados. Onde mãos e pés de tão desenhados, tomam forma para se finalizar a composição do corpo de um ser que de tão tímido se forma em volta uma nuvem de mistérios. Pois as estrelas não podem ser vistas em dias chuvosos. À claridade de uma noite onde o toque encontra a pele e os relevos das tatuagens são revelados. Que entre suor possa-se ver uma vez mais o que de um momento para outro passou-se a admirar, e o encanto não é uma coisa que se ganha. Ame, mas não dê o seu coração a qualquer um. Salve a última dança para mim.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Frequências de Papel


Eu não sei o que cabe a mim que não cabe aos outros. No meio dessa cidade, e entre prédios onde gritos se ecoam na madrugada. Entrei neste barco, vejo pelas janelas, é fácil descer até o mar, e pisar entre pessoas, que cruzam seu caminho. Esse o motivo de estar sem em cima da hora. Mistérios e aventuras para serem desvendadas, entre riscos que corri para que essa história tivesse algum sentido. Eu que não deixo de terminar um livro ou um filme (mesmo que seja ruim). Onde a fé a esperanças se encontram no presente e se perdem quando remetem ao passado e ao futuro. São olhares juvenis procurando entender a frequência e os efeitos colaterais. Mentes criativas que se perdem em indagações que insistem em continuarem escondidas. São colocadas à prova toda as suas insistências, e pode ser difícil acreditar no que o destino preparou para você. Não que deva ficar nas mãos dele suas decisões, ou planos, mas algumas vezes por mais que se lute, não há batalha a ser vencida. Palavras são contorcidas e colocadas contra você. O quanto vale uma discussão se ela é dialogada sozinha? São as pausas entre uma cena e outra que você encontra o momento para colocar as coisas no lugar. Um pouco doloroso encarar a verdade, mas pode ser que haja algum prazer no final. Pode não ser um milagre, ou acontecer como planejado, mas ainda assim ser uma vida. Aventuras fantásticas. Pessoas excepcionais. Lembranças inesquecíveis.

sábado, 19 de setembro de 2015

Epistolo para Maxime


O vaso quebrou-se na parede. Acabou eu disse,
Amarrado entre terra e pétalas, estava decidido, morrera.
Os seres em forma de animais se tornaram um passado de dúvidas
Todos os momentos e ilusões passaram:
Com raiva nos olhos e troca de passagem,
Ele decidiu virar a página sem direito a segunda chance.

Um apartamento que pode me proteger, ou paredes que me escondam?
Elas imprimem minha ida para ficar;
Por água, ar ou fogo, a chance de estar só foi renovada.
Parou-se a Terra para que tu pudesses colocar seus pertences no bagageiro.
Sem lugares sagrados, nem em meu corpo;
Todos os dias soavam como uma renovação transcendente para mim;
Então as fotos capturadas que saiam do ritmo dos seus dedos,
Felizes me encontraram na hora do jantar.

Se tiver alguma razão para perder-se na bebida,
Para afogar as magoas e acordar com a culpa,
Comparam-se a colocar-me na cruz todos os dias,
Quem se importa quando eu deveria estar feliz?
Sobrou alguma tinta para ser escrito no papel
Com suas telas de pinturas de formas para serem penduradas na parede?
Todo o voo será culpa das suas emoções
Porque não conseguiste me fazer feliz.
Aquele que renegou as Leis do Amor,
Culpou-me por não ter dado o suficiente:
Pobre coitado aquele que foi deixado,
E maldição àquele que partiu.

Um amigo para quem teve coragem de deixar o que já tinha acabado
(e não precisa ficar do meu lado só porque o mundo parecia estar tocando fora de tom).
Que praga pode ser removida,
Ou qual deve ser acrescentada para que acabe o sofrimento de um louco ou um amado?
Um grande dilema! Em ambos os casos estou perdido.
Se tolos podem escrever, o que amigos irão ler, eles me lerão em dor.
Sem medida ou julgamento para quão cruel foi!
Quem não pode ficar em silêncio, e quem não irá mentir.
Rir, quando a graça e a bondade estiverem por perto,
E ser bravo, excedendo o poder da face.

Eu sento com uma triste civilidade, escrevo;
Com uma angustia honesta e uma cabeça confusa;
Uma lágrima afinal, mas que não sai dos olhos;
E uma recomendação, “Espero que você esteja segurando firme”.

Oito meses, e agora ele chora pelo que se foi em menos de um,
Alto o suficiente para que as partes quebradas sejam colocadas de volta,
Em um ritmo que o acorda, e o atormenta no final,
Obrigado pela raiva, e pedidos dos que ficam:
“Qual parte você acredita estar incorreta? Porque querer pegá-la,
Todas as submissões, o que você fez com ela, faça.”

Três pedidos para algum outro contato,
A amizade, um epistolo e cem mensagens.

“O hospede me envia: “Você é da arte;
Eu gostaria de uma vaga; poderia me dizer o valor?”
“Eu recebi seu pedido, ”mas sem te conhecer
Sinto informar que preciso de alguém que conheça melhor.
Seria idolatria querer preservar minha pátria? Mas te convido para um temporada.”
Ele vai entrar na minha vida e vai se tornar um ser divino.

Abençoe! Um maço – e esse estranho vicio
Uma tensão virgem, um maxilar inspirador.

E seu eu não gosto de fúria, da morte e da vingança;
Se eu aprovo o que você quer expor no palco.
Ali, vão as minhas estrelas, minha comissão que termina
Elas brincam e felizmente não somos amigos.
Primeiro foi a casa que o rejeitou, eu apenas imprimi.
E viva os tolos – seus interesses não eram os meus
Interesses que saíram caro no final:
“Se quiser podemos considerar o seu preço.”

Todos os guardiões se preparam para o ataque;
No final ele suspira, “Faça e viraremos cobras.”

Para manter seguro eu tranco a porta pelo lado de dentro,
Não os deixo ver meu trabalho e nem a mim.
Meus ouvidos se abrem a primavera
(para o que turibule como uma pessoa sagrada e um rei)
Onde o seu ministro vai espiar primeiro,
(alguns dizem seu escudo) e és forçado a soprar, ou anuviar.
E não será o que se diz meu amigo
Que irá fazer quando passar isso tudo, cuspir no meu rosto?

Quem lida com coisas perigosas
Eu gostaria de nomeá-los guardiões ou reis;
Mantenha sua mente na luz, que ela chegará ao seu coração.
Isso não é nada.
               “Mas e seu eles estranham e mordem?”
Sem a sua hipocrisia, que deseja anunciar um segredo,
Um segredo de tolo, que pode ser perigoso.

A verdade uma vez me disse (e por que ela iria mentir?)

Os seres em forma de animais, eu agora confio mais neles que em ti.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

De uma descoberta, anunciada em sonho



Foi mesmo de uma explosão que tudo começou. As coisas se moveram rápidas. Tudo foi acontecendo de acordo como planejado, para que a escolha feita em algum outro estado de consciência se materializasse. Já havia percebido que algo dentro de mim tentava ir contra a fluência, e que a ansiedade existia em toda parte. Um lugar onde as palavras não existiam, e se existissem estariam presas na conexão de um lugar distante. O que acordavam não eram borboletas, mas sim dragões, que vinham e se escondiam na sombra. O tempo não facilitava. Coisas tão óbvias e tão escondidas dentro de si. Procurava atingir um sentimento que se encontrava em algum lugar por volta, que era imenso, onde já havia experienciado todas aquelas coisas, positivas e negativas, enquanto identificava ou recusava. Aquilo que sentimos é o que queremos sentir, mesmo quando sentimos sem querer.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Eu Lhe Disse



Seria o amor ainda possível? Mesmo depois de tê-lo matado de todas as formas que tinha sido pré-concebido, e abrir mão de certos luxos que poderia ter só para me satisfazer por alguns instantes? Estar-se conectado a todos, sem saber como fazia para perceber a parte minha que se sentia só? Revirava-me em idiomas, escrevendo no meu próprio. Imaginando se a profecia do fim após um poema também poderia ser quebrada. Quase reunidos em matrimônio, dei um jeito de arranjar uma casa distante, dentre as árvores, onde pudéssemos ir para se esconder; como uma pílula que te fazia sentir melhor, você me tomava todos os dias antes de ir dormir, se encaminhando para o seu mundo paralelo, onde o tempo passava diferente, e em contato com os seres, pedias amparo a mim.

O autoconhecimento foi usado contra mim. Não existia a compaixão, nem o ser, até me permitir reconhecer e entrar em contato com estes. Porém, a espera e a ansiedade, baseadas na fantasia da minha realidade, estavam presentes como espectadores que faziam questão de opinar na representação da ilusão das personagens, que se misturavam e se confundiam; todas queriam ser protagonistas. Decoravam suas falas, que lhe serviriam de argumento para provar sua importância, e seguiam falando, mesmo quando caladas. Nunca, tantos atores apareceram para fazer parte, mesmo que de figurantes, nessa peça. Eles insistiam em aparecer mesmo depois de terem recusado o papel, se tornando esquecido, mas ainda ligado com a história. Afinal, todos podiam ler o roteiro, e mesmo que quisesse que não fosse, aquela como tantas outras, era uma história previsível, podendo haver intervenções do diretor, que era conhecido como arquiteto do destino que lia as estrelas, fazendo assim com que o inesperado acontecesse. Vivia conscientemente aquilo que poderia ser uma mentira ou uma história mal contada, retorcida. Mesmo com tantas outras preocupações, e o nervosismo de esquecer o texto, seguíamos caminhando, entre desencontros pela fronteira. Qual seria o significado do silêncio entre os intervalos de um diálogo e outro? E o que se passava no pensamento, ou nas emoções e sentimentos, poderia interferir nas palavras do que viria a ser resposta?

Se esperávamos o melhor, deveríamos fazer o melhor, e não queria criar expectativa caso perguntassem por onde eu tinha estado. A memória não tinha imagens, e eu ficava revivendo o pouco que me lembrava da tua figura; quase que me apoiando a isso quando não emitíamos ondas de notícias. Querendo e permitindo diversos olhares, e dessas maneiras de olhar, a construção da realidade, que nos intervalos era preciso usar da mentira a si mesmo para contar verdades já sabidas. Íamos formando constelações, com células de infinitos, individuais que se tornavam coletivas. Já havia dito que no meio disso tudo, não tinha dúvida e nem medo do que sentia quando me conectava com alguém, podendo-se dizer ser a única coisa que não temia.

Não coloque o sofrimento como uma consequência, nem receie por mim. Para ser marcante é preciso mais do que uma frase de efeito. Por isso entro com a minha pura energia. Assim não são rótulos que vão me definir ou limitar. Apenas um envoltório carnal. Todos têm essa vontade de ser perfeito. Não era isso o que nos ligava. A beleza nunca me foi simpática, sendo sempre invisível na cadeia alimentar, sem conseguir ser, nem que quisesse, preferi não tentar nada para me proteger da decepção. Com a arte da luta aprendi a defender meu coração, abafando minha intuição, e com o desejo de vida e de morte, promovi minha própria aniquilação em estágios homeopáticos. Não concordo com o proclamar de problemas, contudo, quando perguntam de ti, não sei o que responder, então acabo vomitando blasfêmias, se é o que querem ouvir, qualquer coisa, simplesmente digo.

Deveria eu acreditar nas suas atitudes ou nas suas palavras? No que se mostra ou na minha intuição? Nas previsões de um espelho quebrado ou no amor diluído com o tempo, ou na distância de uma ligação para alegrar os meus dias ou noites? Continuar agindo sem ser natural para forçar uma aptidão que talvez me tenha sido concedida, ou acordar acreditando que não viverei sem meus medicamentos? A loucura vai tocando aos poucos com o seu acorde visceral, enquanto conhece todos os meus segredos revelados, minhas palavras passando pela minha mente sem ela se dar conta que podem não fazer sentido algum se colocadas em gavetas. Talvez mais questionamentos do que respostas. Do jeito que eu gostava que fosse. Negando desejos de sexo e de como faço com que as relações deixem de ser mentira, para me tornar o culpado enquanto os amantes resolvem se manter unidos, e deixar com que esse lapso de lembrança seja apenas passado.

Se eu fosse contar as vezes que penso em você e me perco cercado por seu amor poderia soar que eu sou um tolo, mas eu prefiro ser um a tentar controlá-lo, perdendo-me na minha mente misteriosa, onde tudo é tão óbvio e preconcebido em fracassos e decepções. Eu prefiro ser e acredito no amor. Você é de verdade ou estou dormindo? Eu não lhe pediria nada parecido com a fidelidade. Você poderia tocar meu corpo até que soassem notas e eu fosse a melodia. Não me atreveria a perguntar se estávamos sonhando, porque era lá onde fazíamos amor. Eu não podia parar de pensar sobre o seu corpo e seus braços ao meu redor. Nós não somos apenas humanos e podemos dançar mesmo sem asas. A única coisa que eu posso ser é um trovão permanente em seu céu, causando uma nova canção. Fico imaginando que tudo isso está tão longe do espaço que seria permitido para a nossa matéria transcender os limites de ambos. Eu não ousaria, a este ponto, esperar por algo menos do que isso ou até mesmo expressar com palavras limitadas o quão imenso sinto a cada momento que percebo como as perguntas são dissolvidas e me torno o que eu posso ser e compartilhar. Apenas a razão simplesmente poderia querer colocar regras para o que pensam ou sentem e levar-nos a acreditar que algo é classificável. Somos eternos e isto é o suficiente.

Existem coisas que a gente ganha com a maturidade consciente. Algumas visíveis, outras ocultas. Todas as experiências são únicas e de tudo pode se aprender, deve haver um motivo. Quando se chega a um patamar tão alto, sem expectativas ou cobranças, não podemos oferecer menos do que isso para nós mesmos. Aprendemos com os erros, que se fazem necessários para termos compaixão, principalmente com nós mesmos. Em um momento foi possível sentir o que nem as palavras poderiam dizer. Querendo viver aquilo, sem saber se seria com técnica ou não. A minha verdade foi entregue a nós mesmos, e a quem quisesse. A arte se imortalizou no momento de um tempo, pois alcançou algo superior do que já havíamos sentido. Os sonhos são apenas espaço, o tempo passa sem perceber. Até mesmo as horas diminuíam a distância entre elas para que no mistério do silêncio e da solidão exterior reconhecêssemos o que se passava por dentro. De um caminho vazio, onde o corpo reclama o amanhã. Eu viveria tudo isso e mais ao seu lado, como o tenho feito. Sua presença me ilumina e me faz querer viver e acreditar em todas essas explosões que acontecem de todas as partes do meu ser. Pode ser uma imagem que criei, ou uma indagação se é mesmo recíproco. A única coisa que podemos apreciar com a amplidão do despertar é a individualidade. Isso ao mesmo tempo em que nos acrescenta nos engrandece. Agradeço aos que iluminam meu caminho para que eu possa enxergar agora. Porque é normal ficarmos cegos a maior parte do tempo, isso faz parte do ser humano. Mas nada pode ser confirmado uma vez que já é.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Futuro

Sempre busquei viver da verdade, de verdade. Minha personalidade foi sendo criada pelos meus corpos físico, mental e emocional. Vivíamos numa realidade dual. Criei fantasias e acabei vivendo delas. O ego era apenas a manifestação da personalidade e da reação frente a tal dualidade. O que me impedia de ver a beleza que cercava. Mesmo quando a realidade me mostrava, eu era incapaz de enxergar. Perdido em mim mesmo, queria apenas receber ao invés de dar, retribuir. Tudo ia se realizando. Não uma segurança, mas um conforto. A vida continuava se transformando, e eu era adaptável. Só alcançaria a iluminação quando conseguisse me desidentificar destes corpos e ser grato pelo que já tinha. Era exatamente isso que eu temia. Ter que ficar numa busca infindável de alguém que pudesse compartilhar o que eu sentia. Espalhando minha energia conforme me conectava com o outro, ansiando por algo que estaria por vir, futuro. E por mais que eu dissesse, as palavras não expressavam, e eu continuava dizendo. Provavelmente o ego continuaria reagindo ou dizendo coisas, mas quando identificava que não era minha essência, me colocava como telespectador e observava sem reagir. Agindo conscientemente.  Não era além, no que estaria por vir, futuro,  que eu encontraria a minha própria mestria, minha reforma interior. Ela já estava acontecendo. Tratando e dando daquilo que fazia comigo. Cada um poderia encontrar a sua verdade. E eu tentava irradiar pelo meu plexo para que ela fosse transmutada. Era do previsível que eu esperava. Se colocava meu pensamento em algo, minha energia como um tubo se conectava ao algo e eu perdia a plenitude. Cabia a nós sermos a mudança. Qualquer sinal que saísse do contexto esperado, se tornava uma ameaça. Se tudo acontecia com o tempo, de qual estaríamos falando? Mesmo com as diferenças, existia uma dimensão de consciência em que estávamos todos conectados. Se o passado tornava a voltar, ou o futuro insistia em aparecer, não havia nada mais que o presente. Quanto mais vou esperar para que haja uma resposta? A intenção focada podia criar e mover energia. O pensamento tinha poder. Para algo agir era preciso sabedoria interior. E qual seria? A distância ganharia um novo significado a cada novo passo. Éramos Luz primordial, uma centelha divina que chispava dentro dos nossos corações. Para onde levariam as pegadas? Quem e quando ensinaram que qualquer sinal de afeto poderia durar para sempre ou ser algo para se apegar de tal forma que quando não tivesse estaria tudo destruído? O Amor era o caminho, a verdade e o incalculável vazio preenchido de infinito. Teria que ser o amor? A opressão continuava na consciência, inconsciente. Eu me encontrava sentado. Sem vontade de revidar ou questionar o que parecia estar errado. Aguardando o instante para dar o primeiro julgamento. Por onde olhasse, para onde eu fosse. Eram militantes revoltados com a sua própria falta de competência. Só porque você tinha deixado de fazer algo isso se tornaria errado para o outro? Sem deixar que nada fluísse ou passasse entre os dedos. Tapando o sol com a mão fechada. Ao mesmo tempo em que tapavam, tentavam espiar pelas bordas. Só se fosse para si mesmo. Onde e do que andavas vivendo para deixar que as letras escapassem e as palavras tomassem outro sentido? Éramos tão incapazes que não conseguíamos enxergar que nossas formas de lutar, reprimiam qualquer chance de dar certo. Talvez até tivesse te visto na mesma estrada que eu. Profissionais insatisfeitos, com suas caras fechadas para mostrar que entendiam de alguma coisa, empurrando o balcão com as barrigas. Não existia pecado em dizer eu não sei. Mas não íamos para o mesmo lugar.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Now


Suddenly you get completely disconnected from people. Felling you don't belong to the place. Everyone is acting, pretending to be someone they don't even know it's not true. Don't like the changes. Anger. Knowing exactly how they act. Not able to be quiet or talk. Discernment, insight, judgment. Comes back a fear, as something from past would return and make you crow again. You only have the present. Could we live without any memory or gain we experienced? Didn't mean to possess anything, but when you treat it so right and the source starts to be enjoyed, taken from you, becomes hard to share, although it was in your discourse. The words without passing throughout the intellect. Body talks. Banal things to do not allowing hearing your self-screaming. Somewhere I can run to ride. Where I can transcend the matter, turning emotions and thoughts, mental body into light. Can be big and small. With no gravity. Full of emptiness. My ambition is to become fearless.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ansiedade

 
Engraçado como que esse sentimento brotou e me vêm à cabeça, que mesmo que todo esse luxo te cerque, a única lembrança e sentimento que te acompanha é a simplicidade. Tem momentos que eu busco na mente, que ao mesmo tempo em que bate a saudade e a carência e a atenção, é a única coisa que eu quero. Nosso documentário é sobre o mar e as histórias do passado, que ainda não passaram. Me lembro do mar. Qual a diferença entre mim e os demais? Na vida bebemos mentiras para vomitar ilusão. Melhor nem questionar o quanto vou viver. Das cinzas eu surgi, das mesmas cinzas hei de voltar. Me compadeço da figura que desenha no espelho, mas só o suficiente para a inspiração. Quando as mãos gelam, e o desejo vai na frente da vontade. Ansiedade. A plenitude de saber que um dia vai acabar. Só o amor vai durar. Só o amor dura. Viver de presente não é suficiente. Quero tudo ao mesmo tempo, o passado e o futuro, como um refém, tendo medo do que vem e insistindo e fazendo questão de controlar. Que a explosão aconteça do atrito de um abraço.

Gaiolas

 
Sois tão vós, assim como o amor é incondicional frente ao poder do universo. Amei-te desde antes de conhecer-te por inteiro, talvez o motivo de continuar, pois sois além das aparências que nem mesmo tu podes enxergar, muito menos os mortais conseguem ver, e eu sempre vejo o melhor que podes ser. Se eu soubesse que querias escrever, teria dado meu corpo, como há muito havia dado. Se soubesse que querias recitar, teria dado meu ouvido para que a cada sussurro sua voz penetrasse naquele mundo todo que eu criara para mim. Sou apenas um dançante pelo mundo esperando que a rosa brote, esperando pelo sol para mim e para as plantas. Das coisas que aprendi de ti que nunca me deixaste ver a morte do inverno, que me mostrara todas as belezas do plantio e da certeza de que as sementes brotam e com elas as belezas que apenas um flor pode nos dar. Da sua ausência abri minhas gaiolas e o que era livre fugiu. Não foi quem repetiste que o medo de voar era o medo de partir. Serás sempre bem vindo mesmo com a certeza de que vais voar. Afinal o que é um pássaro sem liberdade?